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O túnel ferroviário internacional que Portugal não tem: esclarecimentos sobre projetos europeus com participação portuguesa

Allan
Allan
septembre 20, 2026 3 min
Tunnel de montagne vide sans circulation ferroviaire depuis deux decennies

Portugal e as ligações ferroviárias internacionais: a realidade

Ao contrário de alguns países europeus, Portugal não possui nenhum túnel ferroviário internacional (transfronteiriço) em serviço ou em construção. As ligações ferroviárias com Espanha realizam-se por via aberta, sem obras de arte especiais na fronteira. A confusão frequente prende-se ao facto de empresas portuguesas participarem como empreiteiros em megaprojetos europeus, como o túnel Lyon-Turin, mas isso não significa que a infraestrutura se localize em território português.

As ligações ferroviárias internacionais de Portugal com Espanha incluem trajetos como Entroncamento–Badajoz (via Elvas/Caia), Porto–Vigo (via Viana do Castelo/Valença) e a Linha da Beira Alta (Guarda–Fuentes de Oñoro). Todas estas rotas funcionam em via aberta, sem recurso a túneis na zona fronteiriça.

Túneis ferroviários em Portugal: infraestruturas internas

Os principais túneis ferroviários portugueses – como o do Rossio, o Juncal, o Grande Salgueiral, o Caíde/Tapada, o Alcântara e o da Lapa – são obras de arte situadas em linhas nacionais, sem caráter internacional. Estes túneis fazem parte da malha ferroviária interna e cumprem funções específicas nas ligações regionais.

A terminologia oficial usada em Portugal pela Infraestruturas de Portugal (IP) e pelas entidades reguladoras distingue claramente entre túneis ferroviários (em linhas de caminho-de-ferro) e túneis rodoviários (em autoestradas ou estradas, como o Túnel do Marão na A4). Esta distinção é fundamental para compreender o estado real das infraestruturas disponíveis.

A participação portuguesa em projetos europeus

Distinção importante

Quando a imprensa portuguesa refere o « maior túnel ferroviário do mundo » com participação de empresa portuguesa, está frequentemente a referir-se ao projeto Lyon-Turin (França-Itália), onde empreiteiros portugueses participam como subcontratados. Esta é uma diferença crucial: participação empresarial portuguesa não equivale a infraestrutura portuguesa.

O projeto Lyon-Turin, financiado e gerido pela França e Itália através da sociedade TELT (Tunnel Euralpin Lyon Turin), representa um exemplo de como a experiência portuguesa em construção de infraestruturas pesadas é valorizada internacionalmente. Contudo, este megaprojeto não altera o facto de Portugal carecer de túneis ferroviários internacionais.

O panorama ferroviário europeu versus a situação portuguesa

Enquanto países como França, Itália, Suíça e Áustria investem em túneis transfronteiriços complexos – enfrentando desafios geológicos e orçamentais significativos – Portugal mantém um modelo de ligações ferroviárias internacionais baseado em vias abertas. Esta opção reflete-se na capacidade de carga e nas velocidades possíveis nas rotas Ibéricas, mas também simplifica a manutenção e reduz os custos de construção.

A estratégia portuguesa de infraestruturas ferroviárias centra-se, portanto, no desenvolvimento interno da rede e na otimização das ligações fronteiriças existentes, enquanto as empresas nacionais de engenharia e construção participam em projetos internacionais de grande envergadura noutras regiões europeias.

Perspetivas futuras

Não existem planos anunciados para a construção de túneis ferroviários transfronteiriços envolvendo Portugal. As prioridades de infraestrutura ferroviária nacional centram-se em projetos como a modernização de linhas internas, melhorias de acessibilidade e investimentos em transporte sustentável. A participação de Portugal em iniciativas europeias de conectividade realiza-se através de contributos técnicos e empresariais noutros territórios, consolidando a reputação do país no domínio da engenharia ferroviária internacional.

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Kevin est rédacteur spécialisé en conseil en mécénat et en stratégie de dons d’entreprise. Passionné par l’engagement sociétal des marques, il accompagne les organisations dans la valorisation de leurs actions solidaires. À travers ses articles, il partage analyses, conseils pratiques et tendances pour aider les entreprises à développer des initiatives responsables et durables.

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